Euphoria chega ao fim: desfecho trágico e mensagem poderosa na terceira temporada
A espera de mais de quatro anos entre a segunda e a terceira temporada levou muitos fãs a imaginar que Euphoria ainda teria vida longa na HBO, mas isso não aconteceu. Em 31 de maio de 2026, o criador Sam Levinson anunciou que o oitavo episódio da terceira temporada, “In God We Trust”, não era apenas um final de temporada, mas sim o fim de toda a série. A HBO confirmou que a história de Rue Bennett e de seus colegas se encerrou ali. O desfecho foi intenso e trágico, com escolhas narrativas que dividiram o público, mas também com uma mensagem clara sobre as consequências do vício e a dificuldade de romper ciclos.
Por que Euphoria terminou?
Sam Levinson revelou ao New York Times que o enredo de Euphoria sempre foi pensado como um retrato da luta contra a dependência química. Para ele, a terceira temporada concluiu a jornada de Rue de forma honesta: “a história sobre dependência chegou ao seu fim”. O showrunner explicou que pretendia mostrar que pessoas na mesma situação de Rue muitas vezes não sobrevivem, e por isso optou por um encerramento sem concessões.
As dificuldades de produção também influenciaram a decisão. Após o enorme sucesso das duas primeiras temporadas e de dois especiais, houve atrasos causados pela pandemia e por agendas conflitantes, o que alongou o intervalo entre os episódios. Ao final, foram três temporadas e oito episódios que se estenderam por mais de sete anos. Sem uma equipe completa pronta para novos capítulos e com a história principal concluída, a HBO e Levinson optaram por encerrar a série.
O que aconteceu nos últimos episódios
A morte de Nate Jacobs
O penúltimo capítulo, exibido em 24 de maio, chocou o público ao matar Nate Jacobs, personagem central desde a estreia. O jovem, que havia se tornado agente policial, confrontou a família Mendes em um rancho e acabou morto durante um tiroteio. Essa morte serviu para mostrar que a violência e o desejo de controle de Nate tinham consequências irreversíveis, eliminando um dos pivôs de conflito antes do episódio final.
O último episódio: adeus a Rue Bennett
O episódio final acompanha Rue em um caminho de redenção e fé. Depois de passar anos fugindo de dívidas e traficantes, ela tenta entregar drogas para quitar o que deve, mas decide ficar com a mercadoria e fugir. A escolha precipita uma tragédia: em sua busca pela “última fuga”, Rue faz uso da carga e morre por overdose.
No mesmo capítulo, a série também elimina a traficante Laurie, que comete suicídio, e o personagem Alamo, baleado por Ali durante um confronto. Mas a morte de Rue é o evento mais impactante. Segundo Levinson, o final foi pensado como um tributo ao ator Angus Cloud (Fezco), falecido em 2023. O showrunner afirmou que usou cenas nunca exibidas de Cloud em um sonho de Rue, mostrando os dois juntos num restaurante – uma forma de homenagear o colega e mostrar Rue em paz.
A cena final no rancho
Uma sequência específica, ambientada no rancho da família Miller, ajuda a entender a intenção do criador. Rue, que havia sido acolhida pelo casal Miller em episódios anteriores, estava ausente no momento em que seu amigo Ali retorna ao local para comunicar sua morte. A atriz Jessica Treska, que interpreta Daisy Miller, relatou que o episódio foi filmado em segredo. O roteiro original não revelava o destino de Rue. Durante a cena, Ali dá graças pela vida dela e a câmera mostra a jovem sentada à mesa, feliz e tranquila, como se estivesse finalmente em paz. Essa visão simbólica reforça a ideia de que, apesar do fim trágico, Rue encontra a paz que tanto buscou.
O legado e a mensagem de Euphoria
As escolhas de Levinson dividiram opiniões. Parte do público considerou o desfecho corajoso por não romantizar o vício; outra parte lamentou ver a protagonista morrer depois de anos de luta. A decisão de mostrar a morte de Rue ressoou com debates sobre o aumento de overdoses de drogas sintéticas e a necessidade de alertar jovens para os riscos desse caminho.
Levinson justificou a opção dizendo que queria ser honesto com a trajetória de Rue: “pessoas como ela raramente têm finais felizes”. Para ele, o amor dos fãs por Rue não deveria transformar a série em fantasia, e sim provocar reflexão sobre a realidade da dependência. A inclusão do sonho com Fezco, usando imagens inéditas de Angus Cloud, foi interpretada como uma forma delicada de honrar o ator e, ao mesmo tempo, dar a Rue um momento de paz antes do adeus.
Além disso, Euphoria encerrou mostrando que ciclos de violência, abuso e trauma podem não ter finais felizes, mas que há beleza na busca por cura. A última sequência, em que Rue aparece sorrindo na mesa de jantar da família Miller, simboliza uma serenidade possível – ainda que apenas em outro plano.
Com apenas três temporadas, a série deixa um legado de ousadia estética e narrativa. A mistura de drama adolescente com discussões sobre sexualidade, saúde mental e dependência química continua a influenciar outras produções. O final trágico pode ser doloroso, mas mostra que, para Sam Levinson, a honestidade era mais importante do que agradar expectativas.
E você, o que achou do desfecho de Rue e de seus amigos? Preferia um final diferente ou concorda com a visão de Sam Levinson? Compartilhe nos comentários!
