O Mandaloriano e Grogu tira o gosto amargo do fracasso deixado há 7 anos? Já assisti ao novo filme de Star Wars e tenho a resposta

 



Sete anos. Esse é o tempo que os fãs de Star Wars ficaram sem um novo filme nas telonas. Desde o controverso A Ascensão Skywalker (2019), a Lucasfilm recuou para o terreno mais seguro do streaming, apostando em séries no Disney+. Agora, com Star Wars: O Mandaloriano e Grogu, Din Djarin e o adorável Baby Yoda finalmente chegam ao cinema — mas será que conseguem apagar de vez aquele sabor amargo que ficou?

Assisti ao filme antes do lançamento oficial (22 de maio de 2026) e posso adiantar: a resposta é complicada.


O peso de sete anos de ausência

Para entender o que está em jogo aqui, é preciso lembrar do que causou essa pausa. A trilogia sequencial, sob direção majoritária de J.J. Abrams, terminou de forma tão caótica e divisiva que o debate entre os fãs chegou a gerar mais faíscas dramáticas do que os próprios filmes. A Ascensão Skywalker foi o ponto de inflexão: prometia fechar uma saga épica de décadas, mas entregou um roteiro atribulado que desagradou tanto os defensores de Os Últimos Jedi quanto os críticos.

Depois disso, outros projetos cinematográficos tentaram decolar e nunca saíram do papel. A franquia respirou mesmo foi nas séries — e foi justamente The Mandalorian que devolveu a esperança aos fãs mais desanimados.


Din Djarin e Grogu: do Disney+ para as telonas

Jon Favreau, criador da série e diretor do filme, assume um desafio delicado: pegar personagens que funcionaram muito bem no formato episódico e transportá-los para uma narrativa cinematográfica de mais de duas horas.

A premissa segue diretamente os acontecimentos da terceira temporada da série. Mando (Pedro Pascal, com o rosto quase sempre coberto pelo capacete — seus dublês Brendan Wayne e Lateef Crowder são peças fundamentais) continua prestando serviços para a Nova República. A missão do filme envolve resgatar Rotta, o Hutt — filho de Jabba —, interpretado por Jeremy Allen White com voz processada para soar como a espécie alienígena. O jovem gângster vive como gladiador em um planeta distante, e a recompensa pelo resgate é informação sobre um misterioso ex-imperial.

Sigourney Weaver entra como a Coronel Ward, veterana da Rebelião, acrescentando presença e peso dramático ao elenco.


O que funciona — e o que falha

O filme tem seus momentos genuinamente empolgantes. A direção de Favreau é musculosa nas sequências de ação, com batalhas que evocam outros gêneros de aventura — há ecos de Conan, de Clash of the Titans, de faroestes espaciais. A trilha de Ludwig Göransson mantém o padrão elevado que já conhecíamos da série.

Grogu continua sendo Grogu: irresistível, engraçado, capaz de arrancar um sorriso mesmo dos espectadores mais céticos. Ele não decepciona.

Mas aí mora o problema central do filme: falta novidade. Tudo o que vemos remete a algo que já vimos antes — na série, em outros filmes da saga ou em obras que a inspiraram. A história parece um episódio expandido de temporada inteira de The Mandalorian, comprimido em formato longa-metragem. O resultado funciona, mas raramente surpreende.

O maior tropeço emocional, curiosamente, não envolve nenhum dos dois protagonistas do título. O arco de Rotta o Hutt tinha potencial para ser o coração do filme, mas a execução fica aquém — a voz de Jeremy Allen White, mesmo processada, soa estranhamente humana e cria um descompasso que nunca é totalmente resolvido.


Então, tira o gosto amargo?

Sim e não.

O Mandaloriano e Grogu é um filme divertido, competente e que respeita seus personagens. Comparado a A Ascensão Skywalker, é uma vitória incontestável — mais coeso, mais honesto sobre o que quer ser. Os críticos internacionais já confirmam isso: o filme entrega o que promete, mas poucos estão dispostos a dizer que ele vai além disso.

A questão é que "melhor do que o ponto mais baixo" não é exatamente o elogio que a franquia precisava depois de sete anos de espera. O filme abraça Star Wars de forma despretenciosa — e é exatamente aí que está tanto sua glória quanto sua limitação. Ele não tenta ser épico demais para falhar, mas também não arrisca o suficiente para se tornar inesquecível.

Para os fãs que amam Din Djarin e Grogu, é uma celebração calorosa. Para quem esperava um recomeço grandioso da saga no cinema, pode parecer insuficiente.

O gosto amargo não vai embora completamente. Mas dá para engolir muito melhor agora.


Star Wars: O Mandaloriano e Grogu está nos cinemas a partir de 22 de maio de 2026. Direção de Jon Favreau. Com Pedro Pascal, Sigourney Weaver e Jeremy Allen White. Classificação: PG-13. Duração: 2h12.


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