Michael (2026): o Rei do Pop nas telas — o fenômeno de bilheteria que dividiu público e crítica

 Poucas cinebiografias chegaram aos cinemas carregando tanto peso quanto Michael, o retrato da vida de Michael Jackson que estreou no Brasil em 23 de abril de 2026. A produção foi aguardada por anos, adiada pela greve do SAG-AFTRA, refilmada em parte por questões jurídicas, e chegou às salas com uma expectativa que poucos filmes conseguem gerar.

O resultado? Uma das maiores contradições do ano no cinema: R$ 1,2 bilhão de bilheteria global, público entusiasmado, nota 4,7 no AdoroCinema — e apenas 27% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.

É o caso mais emblemático de 2026 de um filme que o público ama e a crítica detestou. E entender por que isso aconteceu diz muito sobre o que o filme é, o que ele evitou ser, e o que pode vir a seguir.


A sinopse: de Gary, Indiana ao mundo

Michael (2026): o Rei do Pop nas telas — o fenômeno de bilheteria que dividiu público e crítica
Michael acompanha a trajetória de Michael Jackson desde a infância em Gary, Indiana, como integrante e líder do Jackson 5, passando pela ascensão vertiginosa como artista solo com o álbum Off the Wall (1979) — o ponto de virada em que o jovem prodígio se tornou um fenômeno independente da família — até os palcos da turnê Bad, em 1988.

É uma narrativa de formação e emancipação: o menino supertalentoso moldado pelo controle rígido do pai Joe Jackson (Colman Domingo), a pressão de ser o centro de um grupo familiar desde os 5 anos de idade, e a busca pelo reconhecimento artístico próprio que foi, ao mesmo tempo, sua libertação e o início de um isolamento que marcaria o restante de sua vida.

O filme inclui mais de 30 músicas do catálogo de Michael Jackson — dos hits do Jackson 5 às danças do moonwalk que mudaram a cultura pop — e reconstrói shows icônicos com uma fidelidade visual que é, segundo consenso do público, um dos pontos mais fortes da produção.


Jaafar Jackson: a escolha que define o filme

A decisão de escalar Jaafar Jackson — sobrinho biológico de Michael, filho de Jermaine Jackson — no papel principal é o elemento mais discutido de toda a produção. E de forma completamente oposta entre público e crítica.

Para os fãs, foi um acerto absoluto. Jaafar possui uma semelhança física impressionante com o tio, reproduz os trejeitos, a voz e os movimentos com uma naturalidade que vai além de imitação — é uma identificação genuína que vem de quem cresceu dentro daquele universo. Sua estreia no cinema foi celebrada por fãs em todo o mundo.

Para a crítica especializada, a escolha foi sintomática de um problema maior: ao colocar um membro da família no papel principal, o filme estabeleceu desde o início o seu ponto de vista — o da família — higiênico, amoroso e distante de qualquer controvérsia.


O elefante na sala: as acusações que o filme não abordou

Aqui está a questão central que explica a divisão entre público e crítica, e que marcou toda a produção do filme desde os bastidores.

Originalmente, o roteiro de John Logan incluía referências às acusações de abuso sexual infantil que pesaram sobre Michael Jackson ao longo da carreira — em especial as de 1993. Mas durante a produção, foi descoberta uma cláusula num acordo judicial que impediu a utilização de determinado material. O resultado: todas as referências às acusações foram removidas do roteiro, o terceiro ato foi revisado e refilmagens foram realizadas em junho de 2025, meses antes do lançamento.

A crítica especializada foi impiedosa com essa ausência. A Variety, o New York Times e a Rolling Stone apontaram problemas estruturais, narrativa superficial e a ausência de temas centrais da vida do cantor. O consenso crítico no Rotten Tomatoes define o filme como "luxuosamente convencional" — visualmente impressionante, musicalmente emocionante, mas fundamentalmente vazio no que toca ao retrato humano do artista.

A avaliação da Exame foi direta: "o filme retrata o ícone, mas evita o homem."


O que a crítica diz — e o que o público respondeu

Crítica especializadaPúblico
Rotten Tomatoes27% de aprovação
Metacritic38 pontos
AdoroCinema3,0 (crítica)4,7 (usuários)
Bilheteria globalR$ 1,2 bilhão

O abismo entre as notas da crítica e a receptividade do público é um dos maiores registrados para uma cinebiografia em anos recentes.

O que explica essa divisão? O filme que a crítica queria ver era um retrato complexo e corajoso de um dos artistas mais problemáticos e geniais do século 20. O filme que o público foi ver era uma celebração emocionante da música e da presença de um dos maiores entertainers da história — e nisso, segundo os próprios espectadores, Michael entrega plenamente.

Como escreveu um usuário no AdoroCinema: "Literalmente um espetáculo. Experiência audiovisual. Uma viagem nostálgica. Não confiem na crítica. 5 estrelas com louvor!"


Os bastidores: uma produção marcada por turbulências

Michael (2026): o Rei do Pop nas telas — o fenômeno de bilheteria que dividiu público e crítica
O caminho de Michael até as telas foi longo e acidentado.

O desenvolvimento começou em novembro de 2019, quando o produtor Graham King — o mesmo de Bohemian Rhapsody — garantiu os direitos para produzir o filme. A Lionsgate anunciou o projeto em fevereiro de 2022. Em janeiro de 2023, Antoine Fuqua foi confirmado na direção e Jaafar foi escalado para o papel principal.

As filmagens principais aconteceram entre janeiro e maio de 2024 — mas a greve do SAG-AFTRA em 2023 já havia causado atrasos significativos. Depois veio a revisão do roteiro e as refilmagens em junho de 2025. O filme chegou aos cinemas com quase dois anos de atraso em relação à data originalmente planejada.

O trailer lançado em novembro de 2025 tornou-se o mais visto para qualquer filme biográfico ou de concerto musical da história — e o maior lançamento de trailer na história da Lionsgate.

Um detalhe dos bastidores que chamou atenção: Antoine Fuqua revelou que o espólio de Michael Jackson não se atentou a detalhes do roteiro, o que resultou numa revisão custosa — cerca de 15 milhões de dólares — de cenas que precisaram ser refeitas. O diretor comparou a situação a outras produções problemáticas que ele viveu ao longo da carreira.


O que Michael Jackson sabia sobre cinema — e o que o filme não pôde mostrar

Uma das notas de bastidores mais curiosas: Michael Jackson estreou nos cinemas ainda nos anos 1970 — como participante em produções do período — mas o filme foi obrigado a cortar todas as referências a essa fase por questões de direitos.

Há também o registro de que Jackson recusou um papel num grande sucesso de ficção científica dos anos 2000 por uma razão muito específica: não queria interpretar um alien. O artista tinha uma visão muito precisa de como queria ser visto pelo público — e esse controle sobre a imagem é, ironicamente, o mesmo que define e limita o filme sobre ele.


O futuro: Michael 2 já está em desenvolvimento

O longa encerra sua narrativa em 1988 — propositalmente. Uma continuação, Michael 2, já está sendo discutida, e segundo fontes ouvidas pela Forbes, a sequência deverá abordar os capítulos mais delicados da trajetória do cantor: as acusações de Jordan Chandler em 1993, o show histórico do intervalo do Super Bowl de 1993 e as grandes turnês internacionais que consolidaram Jackson como fenômeno global.

A produção da sequência depende da agenda de Antoine Fuqua e de negociações jurídicas envolvendo o roteiro. Caso o cronograma avance sem novos atrasos, as filmagens podem começar entre o fim de 2026 e o início de 2027.

É uma ironia poderosa: o filme que evitou as controvérsias promete, em sua continuação, enfrentá-las diretamente.


Ficha técnica

ItemDetalhe
DireçãoAntoine Fuqua
RoteiroJohn Logan
ProdutorGraham King (GK Films)
Distribuição (Brasil)Universal Pictures
Estreia no Brasil23 de abril de 2026
Duração2h 08min
GêneroBiopic, Drama, Musical
Classificação12 anos
Elenco principalJaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller

Vale a pena assistir?

Depende do que você está buscando. Se quiser um retrato completo, complexo e honesto de Michael Jackson — com todos os seus paradoxos, contradições e a sombra das acusações que marcaram sua vida — o filme não vai entregar isso. A crítica tem razão nesse ponto.

Se quiser uma celebração emocionante da música e da presença de palco de um dos maiores artistas que o mundo já viu — com performances icônicas recriadas com beleza visual, 30 músicas inesquecíveis e a atuação impressionante de Jaafar Jackson — você vai sair do cinema feliz.

O Rei do Pop continua dividindo o mundo, mesmo quando é contado por quem mais o ama.


Você já assistiu ao filme? Acha que a crítica foi justa ou o público tem razão em ignorá-la? E o que você espera de um eventual Michael 2? Conta nos comentários!

Breno Barros

Apaixonado por filmes e series, trago novidades do cinema de forma simples e intuitiva.

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