Depois de Michael, quais artistas ainda podem ganhar filmes nos cinemas?
Michael chegou aos cinemas em abril de 2026 com bilheteria de mais de R$ 1,2 bilhão globalmente — e, apesar das críticas divididas e das polêmicas em torno do roteiro, provou uma coisa que Hollywood já suspeitava: o público tem apetite imenso por cinebiografias musicais.
O fenômeno não é novo. Bohemian Rhapsody (2018) e Rocketman (2019) já haviam aberto o apetite. Elvis (2022), de Baz Luhrmann, consolidou o formato como um dos mais lucrativos do mercado. E os resultados de Michael confirmam que essa fórmula ainda tem muito fôlego — especialmente quando o artista é suficientemente icônico para mobilizar fãs de múltiplas gerações.
A pergunta natural que surge depois de Michael Jackson ganhar sua cinebiografia é: quem vem a seguir?
A resposta, felizmente, já tem respostas concretas — e algumas delas vão surpreender.
Os Beatles — 4 filmes, 4 perspectivas, 2027
Status: Confirmado | Direção: Sam Mendes | Ano: 2027
Este é o projeto mais ambicioso de cinebiografia musical já anunciado em toda a história de Hollywood. Prepare-se para reviver a história da banda mais famosa do mundo em uma série de quatro filmes — cada um abordando um período específico da carreira dos Beatles, desde a formação em Liverpool até a separação em 1970.
A genialidade da proposta está na estrutura narrativa: quem está por trás das câmeras é Sam Mendes — diretor oscarizado por Beleza Americana e 1917 — que anunciou que cada filme contará a história pelo ponto de vista de um dos quatro integrantes. Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr terão, cada um, sua perspectiva como eixo central de um longa independente.
São quatro versões diferentes dos mesmos eventos. Quatro histórias que juntas formam o maior fenômeno cultural do século 20. E o nível de expectativa já é estratosférico antes de um frame ter sido filmado.
Todos os quatro filmes são esperados para 2027 — o que significa um dos anos mais comentados da história do cinema está chegando.
🎵 Por que vai funcionar: porque os Beatles são a maior banda de todos os tempos, e uma abordagem por perspectivas múltiplas resolve o problema que afundou qualquer adaptação anterior: a impossibilidade de contar quatro histórias igualmente importantes num único filme.
Bruce Springsteen — O Boss em carne e osso
Status: Em desenvolvimento | Possível protagonista: Jeremy Allen White
A cinebiografia que irá traçar a trajetória do The Boss desde sua infância em Nova Jersey até se tornar um dos maiores nomes do rock americano está em desenvolvimento — e o nome que circula nos bastidores como protagonista é o de Jeremy Allen White, o protagonista de The Bear.
Ainda não se sabe quase nada sobre o projeto, mas caso Allen White assuma mesmo o papel, as filmagens devem aguardar pelo menos a conclusão das temporadas em andamento de The Bear. A semelhança visual entre os dois e o nível de entrega dramática que White demonstrou na série tornaram a especulação naturalmente forte.
Springsteen é um dos últimos gigantes do rock clássico sem cinebiografia — e seu material de vida, que inclui décadas de turnês, uma relação intensa e complicada com a identidade americana, problemas de saúde mental que ele discutiu publicamente e músicas que definiram gerações, é material cinematográfico de primeira grandeza.
🎵 Por que vai funcionar: porque o público que cresceu com Born to Run e Born in the USA é exatamente o mesmo que encheu os cinemas para Bohemian Rhapsody e Elvis.
Cássia Eller — a cinebiografia que o Brasil está esperando
Status: Confirmado | Protagonista: Luisa Arraes | Previsão: 2027
Esta é a maior aposta do cinema nacional para 2027. A cinebiografia de Cássia Eller, um dos maiores nomes da música brasileira, foi anunciada oficialmente com um detalhe que elevou imediatamente as expectativas: Luisa Arraes no papel principal.
A atriz de Grande Sertão e Transe — uma das mais talentosas de sua geração — assume a missão de dar vida à cantora carioca que marcou a música brasileira dos anos 1990 com uma intensidade vocal e emocional que poucos artistas conseguiram replicar. Os bastidores da primeira sessão para construir a caracterização da atriz como a cantora já foram exibidos, com depoimentos do diretor Diego Freitas e de Maria Eugênia, companheira de Cássia.
Com filmagens previstas para outubro de 2026, o filme deve chegar aos cinemas em 2027 com o apoio da H2O Films e distribuição nacional.
"Cássia Eller é uma artista atemporal da música brasileira. Levaremos a sua força arrebatadora para os cinemas", afirmou o produtor Sandro Rodrigues.
🎵 Por que vai funcionar: porque Cássia Eller é amada profundamente por uma geração que já viu outros ídolos ganharem suas histórias no cinema — e porque Luisa Arraes é exatamente o tipo de atriz capaz de honrar esse legado.
Tom Jobim — o centenário chega às telas
Status: Confirmado | Formato: Documentário | Estreia: 28 de janeiro de 2027
Para celebrar o centenário de nascimento de Tom Jobim, o diretor Miguel Faria Jr. reuniu imagens inéditas do maestro e números musicais no documentário "Tom Jobim – Este Seu Olhar" — que completa a trilogia do cineasta iniciada com "Vinicius" e "Chico – Artista Brasileiro".
Com estreia prevista para 28 de janeiro de 2027, o projeto tem produção da Urca Filmes e Arpoador Audiovisual, em coprodução com Globo Filmes, Canal Brasil e H2O Produções. É o tributo cinematográfico definitivo ao homem que criou a bossa nova — um dos maiores legados musicais do Brasil para o mundo.
🎵 Por que vai funcionar: porque Tom Jobim completará 100 anos em 2027 e porque a trilogia de Faria Jr. é considerada referência no documentário musical brasileiro.
Madonna — a Rainha do Pop ainda sem coroa cinematográfica
Status: Em desenvolvimento (histórico turbulento)
O projeto de cinebiografia de Madonna tem uma história própria de idas e vindas que já renderia um documentário. Por anos, foi anunciado que a própria artista escreveria o roteiro e dirigiria o filme — com Ozzie Wahab na coprodução. O projeto passou por múltiplas versões, escalações e cancelamentos.
Em 2023, Madonna afirmou que o projeto havia sido cancelado. Mas em 2025, surgiram novos rumores de que o estúdio Universal seguia interessado numa versão que não dependesse do controle total da artista sobre o produto final.
Se a cinebiografia de Madonna chegar às telas, será o maior evento de música pop no cinema desde Michael. A vida da artista — de Detroit ao domínio global, com toda a polêmica, arte, sexualidade e reinvenção constante — é material que qualquer diretor de talento sonharia em adaptar.
🎵 Por que pode funcionar: porque Madonna ainda é Madonna — e porque o público feminino que a acompanhou por décadas responderia a um filme bem feito sobre ela da mesma forma que o público do Queen respondeu a Bohemian Rhapsody.
Amy Winehouse — "Back to Black" foi só o começo?
Status: Back to Black já estreou (2024) | Discussão sobre continuação ou novo projeto
Back to Black, o filme sobre Amy Winehouse, estreou em 2024 com recepção mista — muito do mesmo debate que rodeou Michael: a família aprovou, parte dos fãs não aprovou, a crítica foi dividida. Mas a bilheteria confirmou interesse.
A questão que permanece é se o mercado tem apetite para um segundo tratamento da história de Amy — talvez numa abordagem documental mais corajosa, como o premiado Amy (2015) de Asif Kapadia, ou num projeto que tenha participação mais ativa dos músicos e colaboradores que viveram aquela história de perto.
🎵 Status atual: Back to Black existe. Se haverá uma nova abordagem depende de como o mercado responderá nos próximos anos ao legado crescente de Amy Winehouse.
Os que o Brasil ainda espera
Além de Cássia Eller e Tom Jobim, o cinema nacional tem uma lista generosa de artistas cujas histórias mereceriam — e poderiam — chegar às telas:
Cazuza — a história do cantor do Barão Vermelho, que morreu de AIDS em 1990 aos 32 anos, já foi contada num filme de 2004. Uma nova versão, com a qualidade de produção que o cinema nacional atingiu desde então, seria muito bem recebida.
Tim Maia — o Síndrome do Loiro, lançado em 2014, é excelente. Mas a trajetória de Tim Maia tem camadas que ainda não foram exploradas — especialmente o período do Universo em Desencanto e a relação complicada com o Brasil e com os Estados Unidos.
Raul Seixas — o maior roqueiro brasileiro de todos os tempos ainda não tem uma cinebiografia à altura do seu legado. É uma lacuna que o mercado vai inevitavelmente preencher.
Roberto Carlos — O Rei do Brasil completará 84 anos em 2027. Uma cinebiografia autorizada — ou mesmo um grande documentário — seria um evento cultural de proporções imensas.
O que faz uma cinebiografia musical funcionar?
O sucesso de Bohemian Rhapsody, Elvis e agora Michael revelou uma fórmula que, quando executada bem, é quase infalível: o artista precisa ser grande o suficiente para que gerações diferentes o conheçam; a música precisa soar ao vivo nas salas; e o ator escolhido precisa desaparecer no personagem.
O que derruba o gênero é o oposto: tratamentos excessivamente aprovados pela família ou pelo espólio, que suavizam as contradições que tornavam o artista fascinante. Michael sofreu justamente disso — e ainda assim faturou R$ 1,2 bilhão. Imagine o que teria feito com mais coragem narrativa.
Os projetos confirmados para 2027 — especialmente os Beatles de Sam Mendes e Cássia Eller com Luisa Arraes — parecem ter aprendido a lição. E o mercado espera ansiosamente para ver se a execução vai corresponder à promessa.
O que vem aí: resumo rápido
| Artista | Status | Previsão | Onde |
|---|---|---|---|
| Os Beatles (×4) | Confirmado | 2027 | Cinema internacional |
| Bruce Springsteen | Em desenvolvimento | A confirmar | Cinema internacional |
| Cássia Eller | Confirmado | 2027 | Cinema nacional |
| Tom Jobim | Confirmado (doc.) | Jan 2027 | Cinema nacional |
| Madonna | Em desenvolvimento | A confirmar | Cinema internacional |
Qual cinebiografia musical você está mais ansioso para ver — e qual artista brasileiro você acha que merecia um filme e ainda não tem? Conta nos comentários!
