Supergirl: Woman of Tomorrow — a heroína mais corajosa do DCU chega em junho

Supergirl Woman of Tomorrow — a heroína mais corajosa do DCU chega em junho

Se existe uma palavra que define o Universo DC reformulado por James Gunn, ela é coragem. Coragem de recomeçar do zero, de fazer escolhas de elenco inesperadas, de apostar em histórias que fogem do molde convencional do gênero. E nenhum projeto do novo DCU representa essa filosofia com mais clareza do que Supergirl: Woman of Tomorrow.

O segundo filme do novo Universo DC chega aos cinemas brasileiros no dia 25 de junho de 2026 — apenas um mês depois de Superman — e promete ser tudo que o título da heroína mais famosa do DCU jamais foi nas telas: sombrio, brutal, cósmico e profundamente humano. Uma jornada de vingança e autodescoberta que atravessa galáxias e questiona o que significa ser herói quando o universo continua sendo injusto de qualquer forma.


A história: Kara não é o Superman

Para entender por que Supergirl: Woman of Tomorrow é diferente de tudo que a DC já colocou nas telas, é preciso entender a diferença fundamental entre os dois primos kryptonianos.

Clark Kent / Superman saiu de Krypton ainda bebê. Cresceu em Smallville, cercado de amor, estabilidade e valores humanos. Sua ligação com Krypton é saudosa, mas distante — um planeta perdido que ele nunca chegou a conhecer de verdade. Para ele, ser herói é quase natural: é a expressão de quem ele sempre foi.

Kara Zor-El / Supergirl viveu em Krypton. Ela viu o planeta morrer. Ela assistiu, com seus próprios olhos, à destruição lenta de sua civilização, à morte de todos ao seu redor, ao colapso de um mundo inteiro. Ela chegou à Terra não como um bebê sem memórias — mas como uma jovem marcada por um trauma que seu primo nunca vai entender de verdade.

James Gunn, ao apresentar o projeto, foi direto: "Ela é uma Supergirl muito mais dura e mais problemática do que estamos acostumados. Ela não é exatamente a Supergirl que conhecemos."

Essa distinção é a espinha dorsal de toda a narrativa.


A sinopse: uma odisseia espacial com alma de faroeste

A história tem início num cenário improvável para uma heroína de capa: Kara Zor-El viajando até um planeta de sol vermelho — onde seus poderes desaparecem completamente — para comemorar seu aniversário sozinha, bebendo num bar intergaláctico. Sob a luz do sol amarelo, sua invulnerabilidade metabólica tornaria qualquer álcool ineficaz. No sol vermelho, ela é apenas uma jovem de 21 anos.

É nesse estado — embriagada, sem poderes, celebrando o aniversário ao abrigo de um sol vermelho — que Kara cruza o caminho de Ruthye Marye Knoll.

Ruthye é uma jovem alienígena com uma missão simples e devastadora: vingar a morte de seu pai, assassinado pelo mercenário Krem das Colinas Amarelas. Ela tenta contratar alguém para ajudá-la — mas o mercenário que aborda rouba sua espada e vai embora. Kara, mesmo sem poderes, bate no homem e devolve a espada à menina.

Inicialmente relutante, Kara acaba embarcando na jornada quando Krem ataca e deixa Krypto — o Supercão — às portas da morte com duas flechas. Isso muda tudo. O que era uma questão de outra pessoa vira pessoal.

A sinopse oficial resume: "Quando um inimigo inesperado e implacável surge, Kara Zor-El é forçada, contra sua vontade, a se unir a um companheiro improvável. Juntos, eles embarcam em uma jornada cósmica épica, onde vingança e justiça entram em conflito."


Por que é o "Bravura Indômita" das galáxias

Supergirl Woman of Tomorrow — a heroína mais corajosa do DCU chega em junho 2
Uma das comparações que mais circula entre quem leu a HQ original é a semelhança estrutural com o clássico western Bravura Indômita (True Grit): a jovem inocente em busca de vingança pelo pai morto, e o herói relutante, cínico e carregando suas próprias feridas, que embarca na missão sem querer.

Em vez do Velho Oeste, temos planetas psicodélicos, dragões espaciais e tecnologia alienígena. A estrutura é a mesma: dupla improvável, jornada perigosa, paisagens inóspitas — e a pergunta que atravessa tudo: a vingança é realmente o caminho certo?

É um filme de super-heróis que tem mais alma de faroeste cósmico do que de blockbuster convencional. E isso é exatamente o que o DCU precisa para se diferenciar de uma concorrência que já explorou ao máximo a fórmula do herói invencível.


A HQ que inspirou o filme: premiada e essencial

Supergirl: Woman of Tomorrow é baseada na minissérie de oito edições escrita por Tom King e ilustrada por Bilquis Evely, publicada entre 2021 e 2022 pela DC Comics. A obra venceu o Prêmio Eisner — o Oscar dos quadrinhos — e é considerada por muitos críticos uma das melhores histórias da Supergirl de todos os tempos.

Tom King constrói uma Kara Zor-El com danos e traumas porque ela passou por algo que seu primo não passou: ela assistiu à destruição lenta de Krypton, uma morte lenta da qual guarda imagens vívidas. A HQ é narrada pelos olhos de Ruthye — que escreve um livro sobre a aventura — o que cria uma perspectiva única: o leitor vê Supergirl como uma figura quase mítica, vista de fora, por alguém que está descobrindo quem ela é ao mesmo tempo que a acompanha.

Ao longo de toda a jornada, nos deparamos com uma heroína extremamente gentil que carrega uma dor imensurável consigo — e que, apesar de tudo, continua sendo um símbolo de equilíbrio e justiça.

James Gunn confirmou que o filme seguirá uma estrutura de três atos em vez da estrutura da HQ, mas manterá o espírito e os personagens centrais da obra original.


O elenco: escolhas que fizeram história

Milly Alcock como Kara Zor-El / Supergirl

James Gunn revelou que Milly Alcock foi sua primeira escolha para o papel, muito antes de o filme entrar em pré-produção. O próprio Tom King, ao saber da escalação, disse que foi "perfeita".

Conhecida mundialmente pelo papel da jovem Rhaenyra Targaryen em A Casa do Dragão, Alcock traz uma qualidade rara: a capacidade de transmitir fragilidade e ferocidade na mesma cena. É exatamente o que Kara exige. Uma personagem que sofreu demais para ser ingênua, mas que ainda escolhe ser gentil — e que carrega esse paradoxo com honestidade.

Jason Momoa como Lobo

A grande surpresa do elenco é Jason Momoa assumindo o papel de Lobo — o caçador de recompensas intergaláctico mais famoso dos quadrinhos DC. O ator revelou que sempre foi um papel dos seus sonhos e garantiu que seu visual será fiel à versão dos quadrinhos.

Curiosamente, Lobo não estava na HQ original — mas Tom King revelou que seu pitch inicial para a minissérie incluía o personagem como um team-up com Supergirl. O filme realiza essa ideia que ficou no papel.

O elenco completo

  • Milly Alcock como Kara Zor-El / Supergirl
  • Eve Ridley como Ruthye Marye Knoll
  • Matthias Schoenaerts como Krem das Colinas Amarelas
  • Jason Momoa como Lobo
  • David Corenswet como Superman (participação especial)
  • David Krumholtz como Zor-El, pai de Kara
  • Emily Beecham como Alura, mãe de Kara

Craig Gillespie na direção: a escolha certa

À frente do projeto está Craig Gillespie — diretor de Eu, Tonya, Cruella e Dumb Money. Um cineasta que tem demonstrado ao longo da carreira uma habilidade específica e valiosa: pegar personagens moralmente ambíguos, em situações extremas, e torná-los profundamente humanos e identificáveis.

É exatamente o perfil que Woman of Tomorrow exige. Kara não é uma heroína fácil de amar nessa história. Ela está quebrada, relutante, carregando um peso que a tornaria antipática nas mãos erradas. Gillespie é o tipo de diretor que vai encontrar a humanidade nessa dor — e fazer o espectador torcer por ela mesmo quando ela age de formas que um Superman nunca agiria.


Krypto: o co-protagonista de quatro patas

Não seria justo falar de Supergirl: Woman of Tomorrow sem mencionar Krypto — o Supercão, companheiro fiel de Kara durante toda a jornada. Na HQ, o destino de Krypto é o gatilho que muda tudo: são as flechas de Krem nele que convencem Kara a aceitar a missão de Ruthye.

É um detalhe que diz muito sobre o personagem: Kara pode ignorar o sofrimento alheio por relutância em se envolver — mas não consegue ignorar o sofrimento do ser que mais ama.


Ficha técnica

ItemDetalhe
Título originalSupergirl: Woman of Tomorrow
DireçãoCraig Gillespie
RoteiroAna Nogueira
ProduçãoJames Gunn e Peter Safran (DC Studios)
DistribuiçãoWarner Bros. Pictures
Estreia no Brasil25 de junho de 2026
GêneroAção, Aventura, Ficção Científica
Baseado emHQ de Tom King e Bilquis Evely (2021–22)
Posição no DCUCapítulo Um: Deuses e Monstros — 2º filme

Por que esse filme importa para o DCU

Superman, o primeiro filme do novo DCU, apresentou o mundo e estabeleceu o tom: esperança, luz, um herói que escolhe ser bom. Supergirl: Woman of Tomorrow vai ao outro extremo — e é exatamente por isso que ele é necessário.

Kara não é a Superman feminina. Ela é outra coisa: uma sobrevivente que carrega cicatrizes que Clark nunca vai ter, que faz escolhas que ele nunca faria, que vê o universo com olhos que a dor educou de um jeito diferente. Num DCU que está apenas começando a construir seu universo, ter uma heroína assim logo no segundo filme é um sinal de que Gunn e Safran querem contar histórias com complexidade real — não apenas aventuras espetaculares.

Este é o primeiro filme solo da Supergirl nos cinemas desde Supergirl (1984). 42 anos de espera. E pela primeira vez, parece que a personagem vai ter a história que sempre mereceu.


Você já leu a HQ de Tom King? E o que acha de Milly Alcock no papel de Kara? Conta nos comentários — a estreia é no dia 25 de junho!

Breno Barros

Apaixonado por filmes e series, trago novidades do cinema de forma simples e intuitiva.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem