Se você tinha entre 5 e 12 anos na década de 1980, existe uma frase gravada para sempre na sua memória: "Eu tenho o poder!" — gritada com toda a força por um príncipe loiro que erguia uma espada mágica ao céu e se transformava no guerreiro mais musculoso e poderoso do universo.
He-Man está de volta. E desta vez, a aposta é enorme: com orçamento estimado entre 170 e 200 milhões de dólares, elenco estrelado e estreia marcada para o dia 4 de junho nos cinemas brasileiros, o novo live-action de Mestres do Universo promete ser um dos maiores eventos do cinema em 2026. Mas antes de você comprar seu ingresso, vale a pena relembrar quem é esse herói, de onde ele veio e por que ele ainda importa.
De onde surgiu He-Man?
A história começa, curiosamente, não nos quadrinhos nem no cinema — mas numa prateleira de brinquedos.
Em 1982, a empresa americana Mattel lançou a linha de bonecos Masters of the Universe, e He-Man era o carro-chefe: um guerreiro de proporções impossíveis, loiro, com armadura e espada, habitante de um planeta misterioso chamado Eternia. A linha foi um fenômeno de vendas imediato, mas precisava de uma história para sustentar os personagens.
Em 1983, a série animada He-Man and the Masters of the Universe chegou à televisão americana — e logo ao mundo inteiro, inclusive ao Brasil, onde conquistou gerações inteiras de crianças. Era, essencialmente, um comercial de brinquedos elevado à categoria de mitologia pop.
A história de He-Man: príncipe, herói e segredo
No coração da franquia está uma dualidade clássica: o príncipe que esconde o herói.
Prince Adam é o filho do Rei Randor e da Rainha Marlena, governantes do planeta Eternia — um mundo fantástico que mistura magia e tecnologia, cheio de castelos medievais, criaturas estranhas e ruínas de civilizações antigas. Adam parece, à primeira vista, um jovem preguiçoso e desinteressado, sempre evitando os deveres reais, incapaz de impressionar qualquer um ao redor.
Mas quando o perigo chama, Adam ergue a Espada do Poder — uma arma mágica herdada da lendária Fortaleza de Grayskull, o lugar mais antigo e misterioso de Eternia — e pronuncia as palavras que definem a franquia:
"Pelo poder de Grayskull… EU TENHO O PODER!"
Num instante, o príncipe franzino se transforma em He-Man: uma versão amplificada de si mesmo, com força sobre-humana, invulnerabilidade e coragem inabalável. Seu fiel tigre doméstico Cringer se transforma junto com ele, virando o feroz Battlecat, sua montaria de batalha.
O segredo de sua identidade dupla é guardado por apenas três aliados: a mística Sorceress (Feiticeira), guardiã de Grayskull; o sábio Orko, um mago atrapalhado; e Man-At-Arms (Duncan, ou Mentor, como ficou conhecido no Brasil), o general mais leal do reino e figura paterna de Adam.
O vilão: Esqueleto, um dos antagonistas mais icônicos da cultura pop
Do outro lado da batalha está aquele que pode ser o vilão mais visualmente marcante dos anos 1980: Skeletor — chamado de Esqueleto na versão brasileira.
Com um crânio roxo exposto no lugar do rosto, armadura azul e um cajado mágico com uma caveira na ponta, Esqueleto é o príncipe das trevas de Eternia. Sua obsessão: conquistar a Fortaleza de Grayskull e se apoderar de seus segredos ancestrais, tornando-se o ser mais poderoso do universo.
O que torna Esqueleto tão fascinante não é apenas a aparência, mas a personalidade: irônico, teatral, explosivo, sempre rodeado de capangas incompetentes que ele trata com desprezo e humor involuntário. Ele é ameaçador e cômico ao mesmo tempo — uma combinação que o tornou um ícone cultural que sobreviveu décadas após o fim da série original.
Os aliados: os Mestres do Universo
He-Man raramente enfrenta o mal sozinho. Ao seu lado estão os chamados Mestres do Universo, um grupo de guerreiros com habilidades únicas:
Teela é a capitã da guarda real — guerreira ágil, determinada e sem paciência para besteiras. É a companheira mais próxima de Adam e, por muito tempo, ignora que ele é He-Man. Sua história é mais complexa do que parece: ela é, na verdade, filha da própria Feiticeira, criada à distância para ser protegida dos perigos de Eternia.
Man-At-Arms (Duncan/Mentor) é o inventor, estrategista e general do reino. É ele quem fornece a He-Man as armas e gadgets mais elaborados, e quem mantém a cabeça fria quando tudo parece perdido. No Brasil, ficou famoso como Mentor.
Orko é o alívio cômico oficial — um pequeno mago flutuante de um reino dimensional chamado Trolla, cujos feitiços quase sempre dão errado do jeito mais inconveniente possível. Adorado pelas crianças, tolerado pelos adultos.
O universo de Eternia: entre magia e ficção científica
Um dos aspectos mais fascinantes da franquia é como ela mistura gêneros sem cerimônia. Eternia é um planeta onde castelos medievais coexistem com naves espaciais, onde espadas mágicas convivem com armas a laser, onde criaturas fantásticas dividem espaço com robôs e cyborgs.
A Fortaleza de Grayskull é o centro dessa mitologia: uma estrutura antiga em forma de caveira que guarda os segredos da criação de Eternia. He-Man protege o Castelo dos Eternos — o palácio real — enquanto Esqueleto tenta invadir Grayskull do seu quartel-general, a Fortaleza de Boro Crânio (Snake Mountain, na versão original).
Do desenho ao cinema: uma história longa e acidentada
A tentativa de trazer He-Man para as telas grandes não é novidade. Em 1987, foi lançado o primeiro live-action da franquia, com Dolph Lundgren no papel principal e Frank Langella como um Esqueleto surpreendentemente ameaçador. O filme foi um fracasso de bilheteria — e se tornou cult exatamente por isso, com toda a estranheza e exagero que o caracterizava.
Depois do fracasso de 1987, o projeto de um novo filme entrou num purgatório de quase 40 anos. Passou pelas mãos da Sony Pictures, da Netflix, e finalmente chegou à Amazon MGM Studios, que apostou alto e não economizou.
As filmagens do novo longa aconteceram em Londres entre janeiro e junho de 2025. A direção ficou com Travis Knight, responsável por Bumblebee e Kubo e as Cordas Mágicas — dois filmes que provaram sua habilidade em equilibrar ação espetacular com emoção genuína.
O novo filme: o que esperar
Para salvar sua família e seu mundo, Adam precisa abraçar o destino que evitou por toda a vida: se tornar He-Man.
O elenco é um dos maiores atrativos da produção:
- Nicholas Galitzine (Red, White & Royal Blue) como Príncipe Adam / He-Man
- Jared Leto como Esqueleto
- Idris Elba como Duncan / Man-At-Arms (Mentor)
- Camila Mendes (Riverdale) como Teela — a atriz brasileira representa o país no maior blockbuster do ano
- Alison Brie como Evil-Lyn
- Morena Baccarin como a Feiticeira
- Kristen Wiig dando voz a Roboto
- Hafþór Júlíus Björnsson — o gigante islandês famoso por Game of Thrones — como Homem das Cabras
Por que He-Man ainda importa
Quarenta anos depois da série original, He-Man continua relevante porque toca em algo universal: a ideia de que existe dentro de cada pessoa — especialmente em cada criança — um herói esperando para emergir. Adam não é poderoso porque nasceu assim. Ele se torna poderoso quando escolhe ser.
A frase "Pelo poder de Grayskull, eu tenho o poder!" nunca foi apenas sobre músculos ou espadas. Era sobre decisão. Sobre responsabilidade. Sobre aceitar quem você é quando o mundo precisa de você.
Num mundo que parece precisar cada vez mais de heróis, essa mensagem não envelheceu.
Mestres do Universo estreia nos cinemas brasileiros no dia 4 de junho de 2026.
Você cresceu assistindo He-Man? Conta nos comentários qual era o seu personagem favorito — e se está animado para ver o novo filme!

